Silêncio avassalador de dor e espera,
não vejo anúncio de sol ...
Vejo silêncio chamando à tocá-lo.
Como aviso de sua chegada ele ultrapassa a pele
e o calafrio faz presente.
Sinto a mão do desespero sugando minha imaginação frágil.
Silêncio de chuva caída procurando abrigo em terra desconhecida.
Silêncio de lágrima não chorada.
Silêncio de riso contido.
Silêncio da dor por si só.
Silêncio em busca de silêncio de paz,
paz que insiste em não permanecer...
Silêncio de imaginação e protesto...
Silêncio...
Por ter tanto para dizer e ser só silêncio...
....... como dói............................
Juscélia Sousa
Aqui ficam os momentos de alegrias, de tristezas... momentos que não saberia explicar o que se passa. Ficam os pedacinhos que compõem a grande ciranda da vida... expressados no calor do momento... como bolha de sabão, como borboletas, como flores e sorrisos... Como deveria mesmo ser...
domingo, 16 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Coração úmido
Frio que tira o prazer das coisas,
que esfrega e não faz fogo,
que mastiga e não sente gosto nem tato.
Úmido frio do Janeiro esperado e não sentido.
Incerto amanha do Janeiro escondido.
Corre sangue no dia que não pulsa.
Sangue sem cor, sem gloria...
Apenas sangue que dói.
Sangue de quem imaginou e não deu cor nas entrelinhas da vida.
Corre sangue na alma desnutrida da imaginação
cheiro de lodo, por ser chuva caída.
Por não ter despido das coisas velhas e lavado o ego
na chuva que passou...
Corre sangue nas vontades perdidas
durante a chuva toda.
Ainda corre ... quente ou frio?
Juscélia Sousa
M e d o
Trancafiado medo no cofre lacrado de ordens.
Onde o branco é mais negro que a encruzilhada que nunca ultrapassei.
Olhos vermelhos da fúria desconhecida, porém sentida.
Ossos e cinzas das incertezas inventadas.
Nuvem de poeira no úmido pano branco das vontades.
Gafanhoto das liberdades tardias engarrafadas nos momentos de dor.
Nuvem de chuva que brinca ao tilintar do coração infantil, enquanto a broca negra
do amanhã cava longe a dor neutra do dia a dia.
Medo eterno, luz que brinca de pique esconde.
Cores escuras, repetição do incerto, repudiando a brincadeira de roda da vida,
que roda roda roda roda
roda roda roda roda roda roda roda ....................................................................................................................................................................
Juscélia Sousa
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Orvalho
Trêmula gota incerta no cair da manhã
Forma de horizonte que pernoita no ser intacto
Tradução genuína de nascer insensato
Nascer e morrer entre o Morrer da Estrela e o Nascer do Sol.
Orvalho virgem numa manhã impura
Onde as gotas purificam a sedenta poeira deixada para trás.
Poeira digna dos poros mortos,
película da loucura vivida dos que permitem
Viver incertezas.
Tormento límpido que abala ao tocar o impuro corpo podre.
Água transparente do orvalho negro
formado junto com a lágrima chorada
Na noite passada...
domingo, 12 de dezembro de 2010
O que vi...
Resolvi juntar os pedacinhos de mim, buscar significado nos dias passados para esperar o amanhã.
Surpresa tamanha quando percebi tocando tão grande presente, este presente recebido todos os dias em forma de vida. Narrando dias de intenso sentir, o que vi foi...
Fui imensamente feliz em minhas dores;
Fui derrotada em minhas vitórias;
Joguei flores ao vento, alguns colheram espinhos;
Acreditei e fui desacreditada;
Lutei por sonhos impossíveis e conquistei degraus esquecidos;
Chorei por perdas passadas;
Esqueci de sorrir ao ganho do segundo adquirido.
Conheci almas de amor e bem;
Repudiei ao mal no mundo, chorei;
Reparti dias ao lado do meu filho, aprendi;
Ganhei e perdi... tanto, tanto, tanto...
Que fez meu coração gigantear, tornando mais vermelho...
Sofri, sorri, Amei, me permiti;
Ao tempo e tato dos meus trinta e poucos anos, amadureci;
Corri em espaço fechado de ruas solitárias,
ao som inaldíveis das folhas de outono;
Adormeci em pele que treme no imaginar do sonho.
Dormi em pele, sem e com Leão bravio.
Fui borboleta procurando jardim;
Fui jardim à espera de borboletas;
Em solidão plena, fui jardim sem contemplação...
Estive em glória de momentos,
dos momentos sem glória;
Fui amante só...
Fui boca derramada de desejo e fúria;
tentação e busca...
Fui alma de sonhos na realidade impensada,
justificando a dor presente.
Estive e fluí;
Dor e prazer;
Falta e contentamento; Tão pouco e exagerado.
Riso e ódio. Fui plena.
Mãe, Menina, Mulher...
Tão grande... Tão pequena...
Gargalo de loucura buscando ser Gente.
Dois mil e dez anos em um...
Quanto significado, quanta matéria,
quanto ar puro que passou despercebido;
Quanto verde que não chegou ao vermelho...
Pra não dizer das lágrimas, sorrisos e dores,
junção do supremo...
Com tantos pedacinhos ainda indecifráveis
esperando juntar o maior número possível,
sabendo do valor imensurável do presente chamado vida.
Sinto leveza;
Talvez seja só isso...
Ou talvez seja o Natal;
uma forma de reviver o que ganhamos ou deixamos de doar;
Talvez seja a vontade de ser melhor;
De absolver tudo,
com intensidade tamanha que faça os dias serem grandes ou
demasiadamente pequenos.
De abraçar tudo, amar demais, participar...
Descobri que os meus planos vão além...
E que eu ganhei uma força incrível para acreditar que amanhã
será leve, e quero receber meus presentes de vida, encher meu peito de luz,
e semear flores...
Que venha 2011...
sábado, 11 de dezembro de 2010
Não Digas Nada
Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
Fernando Pessoa
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
Fernando Pessoa





