quarta-feira, 2 de junho de 2010

...Tão Grande...

Meu momento de desafio, meu ato principal. Minha força maior.
Tão grande que não cabe em mim;
Neste momento sou tudo, sou leoa, sou absurdo, sou Mãe.
(exemplificando o Amor)
Saber ser a semente, quero proteger.
és o meu melhor sorriso ... FILHO MEU.

Nando Reis


Pra você guardei o amor


Que nunca soube dar

O amor que tive e vi sem me deixar

Sentir sem conseguir provar

Sem entregar

E repartir



Pra você guardei o amor

Que sempre quis mostrar

O amor que vive em mim vem visitar

Sorrir, vem colorir solar

Vem esquentar

E permitir



Quem acolher o que ele tem e traz

Quem entender o que ele diz

No giz do gesto o jeito pronto

Do piscar dos cílios

Que o convite do silêncio

Exibe em cada olhar



Guardei

Sem ter porque

Nem por razão

Ou coisa outra qualquer

Além de não saber como fazer

Pra ter um jeito meu de me mostrar



Achei

Vendo em você

E explicação

Nenhuma isso requer

Se o coração bater forte e arder

No fogo o gelo vai queimar



Pra você guardei o amor

Que aprendi vem dos meus pais

O amor que tive e recebi

E hoje posso dar livre e feliz

Céu cheiro e ar na cor que arco-íris

Risca ao levitar



Vou nascer de novo

Lápis, edifício, tevere, ponte

Desenhar no seu quadril

Meus lábios beijam signos feito sinos

Trilho a infância, terço o berço

Do seu lar

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A saudade é um passarinho que vem de leve e pousa nos nossos corações trazendo lembranças...


... Como um colibri que beija a flor e trás beleza.

E ela nem escolhe hora ou lugar, só aparece assim, invadindo interiormente esse espaço que consideramos reservado as pessoas ou ocasiões especiais.

Mas se existe saudade, é porque existem sementinhas de ternura plantadas em nós.

Pedacinhos de coisas boas, que talvez nem tenham ficado muito tempo, mas o suficiente para deixar um rastro, um sabor, uma marca, um perfume.

Que nome dar então a essa falta, esse vazio nostálgico dolorido e bom que invade a alma e toma conta do momento?

Essa viagem que fazemos sem malas e documentos e que nos leva e nos trás, cheios de amor e de não sei o que?

A saudade é uma prova, um certificado, carimbado e assinado embaixo de que não estamos inteiramente sós e nem vazios.

As pessoas vêem e vão e ficam assim se prolongando em nós, existindo pela eternidade do nosso caminho.

E amanhã ou depois, quando tudo o que sobrar em nós forem pedaços do passado, teremos esse coração rido em histórias que nos farão rir sozinhos e nos sentir vivos.

São essas as peças que os verdadeiros amigos pregam ao nosso coração.

Caímos nessa armadilha e ainda nos divertimos.

Aprendemos assim que sentir saudades é respirar o amor que plantaram em nós.

È viver depois repletos desse amor para a vida toda.



Letícia Thompson

Outro pedacinho...

Por isso a palavra PEDACINHOS...
Cada dia um encanto, cada dia uma descoberta, um sentimento, um valor, um amor...
Descoberta de "pedacinhos" que fazem da minha vida tão doce.
Tão pequeno, tão grande em  fazer unir todos num unico sentimento "proteção".

sábado, 22 de maio de 2010

Invisíveis, mas não Ausentes

"A morte não é o fim de tudo.
Ela não é senão o fim de uma coisa
e o começo de outra.
Na morte o homem acaba,
e a alma começa.

Que digam esses que atravessam a hora fúnebre,
a última alegria, a primeira do luto.
Digam se não é verdade que ainda há ali alguém,
e que não acabou tudo?

Eu sou uma alma.
Bem sinto que o que darei ao túmulo
não é o meu eu, o meu ser.
O que constitui o meu eu, irá além.

O homem é um prisioneiro.
O prisioneiro escala penosamente
os muros da sua masmorra.
Coloca o pé em todas as saliências
e sobe até ao respiradouro.

Aí, olha, distingue ao longe a campina.
Aspira o ar livre, vê a luz.

Assim é o homem.
O prisioneiro não duvida que encontrará
a claridade do dia, a liberdade.
Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?

Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo
De que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?

A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo.
É por demais pesado para esta terra.

O mundo luminoso é o mundo invisível.
O mundo do luminoso é o que não vemos.
Os nossos olhos carnais só vêem a noite.

A morte é uma mudança de vestimenta.
A alma, que estava vestida de sombra,
vai ser vestida de luz.

Na morte o homem fica sendo imortal.
A vida é o poder que tem o corpo de manter
a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela.

A morte é uma continuação.
Para além das sombras,
estende-se o brilho da eternidade.

As almas passam de uma esfera para outra,
tornam-se cada vez mais luz.
Aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.

O ponto de reunião é no infinito.
Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.
Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito”.

(Victor Hugo)